O início da primavera é mais ou menos coincidente com o início do
ciclo vegetativo da videira. Apesar do ano comum ter 12 meses, no ciclo da videira apenas conseguimos vislumbrar alguma atividade em 8, sendo o primeiro (no hemisfério norte) em março com o abrolhamento e o último em outubro com a vindima.
Com a chegada do calor, a vinha começa a despertar da dormência, em que esteve durante os meses mais frios de inverno, sendo o primeiro fenómeno, que anuncia este acordar, o
choro da videira.
Choro da Videira
Nem sempre uma lágrima é sinal de tristeza. Quando os olhos começam, lentamente, a verter gotas de seiva, temos o primeiro sinal do despertar de um longo sono e o primeiro pulsar de vida no novo ciclo da vinha.
Este fenómeno natural consiste na libertação de um líquido (seiva), através dos cortes de poda, nos troncos e ramos da videira, marcando o retomar da atividade por parte da planta.
Abrolhamento
Esta seiva é composta essencialmente por água, nutrientes e minerais que se foram acumulando nas raízes da videira e que agora vão incentivar a planta a produzir novas folhas, flores e sarmentos. Marca-se, assim, o início do crescimento vegetativo e, posteriormente, o desenvolvimento dos órgãos da planta, das ramificações, dos sarmentos, da floração e dos cachos de uva. A este fenómeno damos o nome de abrolhamento.
Tipos de abrolhamento
O abrolhamento pode dar-se mais precocemente ou mais tardiamente, dependendo da região, das condições climatéricas e de outros fatores. As características específicas de cada casta também influenciam este processo. Na
região dos Vinhos Verdes, por exemplo, uma das castas de abrolhamento precoce é a Fernão Pires enquanto a casta Trajadura possui um abrolhamento tardio (em média 17 dias após a Fernão Pires).
Este timing é importante, principalmente em zonas mais sujeitas a geadas de primavera nas quais devem ser selecionadas castas de abrolhamento tardio para que os gomos não sejam prejudicados e a planta não sofra perdas de produção no futuro.
A forte sensibilidade dos primeiros órgãos verdes à geada, ainda que moderada, faz do abrolhamento um dos períodos mais críticos do ciclo vegetativo da videira.
Floração
Seis a treze semanas após o abrolhamento, nota-se um rápido crescimento dos pâmpanos, sarmentos e folhas da videira, seguindo-se a floração que, mais uma vez, varia consoante as castas e as condições climatéricas.
A planta entra de novo em intensa atividade fisiológica: absorve água e nutrientes através das raízes, as suas folhas transformam-se, com a fotossíntese, em pequenas fábricas de açúcar, a respiração que degrada os açúcares produz energia suficiente para a multiplicação celular e a transpiração permite as trocas gasosas necessárias à fotossíntese. No hemisfério norte, este processo ocorre de maio a junho enquanto no hemisfério sul, de novembro a dezembro.
Condições favoráveis à floração
O aumento da temperatura no decorrer da primavera, permitirá à videira florescer sem percalços. Além disso, nesta fase não são desejadas chuvas ou ventos fortes, pois podem comprometer a polinização das vinhas e, consequentemente, o seu vingamento.
Vingamento
O vingamento é a transformação das flores em frutos, no caso da videira, em uvas. A taxa de vingamento pode variar de 15% a 60%, ou seja, nem todas as flores se transformarão em fruta, dado que as que não forem polinizadas caem.
Desavinho e Bagoinha
Nos casos em que a taxa de vingamento é muito baixa, dá-se o nome de
Desavinho, com algumas castas mais suscetíveis devido ao baixo teor de açúcar nos bagos. Se os bagos crescerem sem serem fecundados e, por isso, não apresentarem grainhas, o fenómeno é denominado de
Bagoinha.
Ambos os fenómenos (Desavinho e Bagoinha) reduzem drasticamente o rendimento e estão correlacionados com o clima durante essa fase tão importante do ciclo da videira, a polinização. Após a fecundação das flores e o desenvolvimento do bago, segue-se o período de maturação.
Na Aveleda, os membros da equipa de viticultura são os verdadeiros
guardiões das vinhas e cuidam delas, diariamente com toda a dedicação e atenção necessárias, para que estas cresçam saudáveis e produzam uvas de excelente qualidade.